Identificada baleia de bossa nos Açores que nadou até à Rússia!

humpback whale match

Parece muitas vezes para nós biólogos, um trabalho inglório as horas que passamos em frente ao computador a tentar comparar fotos, no nosso trabalho de foto-identificação, quer seja de caudas de cachalote, da pigmentação de uma baleia azul ou mesmo as cicatrizes da dorsal de um golfinho de Risso.

São muitas horas a tentar encontrar outra foto do mesmo animal, seja nas águas da Ilha de São Miguel ou da Ilha do Pico, ou através das várias parcerias que temos com os diferentes grupos de investigação, um pouco por todo o Atlântico Norte. Primeiro, comparamos as fotos na nossa base de dados e, muitas vezes encontramos o mesmo animal durante vários dias ou semanas. Isso foi o que sucedeu com uma baleia de bossa que vimos no dia 14 de março de 2019, esta esteve bem ativa neste dia com alguns comportamentos bem acrobáticos, tal como o bater de cauda. No dia seguinte voltámos ao mar e lá estava ela outra vez, para mais uma vez mostrar a sua cauda com um corte bem característico no lado esquerdo da sua barbatana caudal.

Recebemos há poucos dias, aquela notícia que nos mostra que todo este trabalho, embora moroso, aumenta em muito a nossa compreensão sobre a migração das baleias de bossa.

Esta baleia também foi vista pelo Anton no dia 21 junho de 2019 e, no máximo de 3 meses nadou desde os Açores até ao norte da Rússia, sendo assim o nosso primeiro match entre os Açores e a Rússia, depois dos re-avistamentos com locais de reprodução como Cabo Verde ou o mar das Caraíbas, ou os locais de alimentação como Islândia, Nova Escócia ou Noruega, junta-se agora a Rússia à nossa lista.

Muito obrigado ao Frederick Wenzel, por ter encontrado este match, e a todos que contribuíram para o mesmo ser possível, os biólogos Rui Santos, Rafael Martins, Miranda Van der Linde, Lindsey e Ted Cheeseman.

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