Como é a reprodução dos golfinhos?

acasalamento golfinhos

Como se reproduzem os golfinhos?

Os orgãos reprodutores dos golfinhos estão localizados no interior do seu corpo, dentro da cavidade genital. Os machos têm duas cavidades, uma para o genital e outra para o ânus. Por sua vez, as fêmeas têm apenas uma cavidade que incluiu o seu orgão reprodutor e o ânus, com uma cavidade mamária de cada lado.

Female dolphin anatomy
Anatomy in male and female dolphin (www.mmapl.ucsc)

Os golfinhos são polígamos, isto significa que têm relações com mais do que um parceiro. Não existe uma época de acasalamento definida para os golfinhos, eles podem reproduzir em qualquer momento do ano. No entanto, é importante referir que 90% da atividade sexual entre os golfinhos são apenas preliminares e a relação sexual dura apenas alguns segundos (Wells et al, 1999).

A idade de maturidade sexual depende da espécie e do género do indivíduo. Os machos atingem a maturidade entre os 8 e os 14 anos, as fêmeas entre os 5 e os 13 anos (Orbach, D et al, 2019). Aparentemente, as fêmeas são coercidas a ter relações com os machos e é difícil perceber se elas realmente pretendem aquela relação sexual (Scott et al, 2005). Nas nossas viagens de observação de baleias e golfinhos podemos ver golfinhos a acasalar.

Nas nossas viagens de observação de baleias e golfinhos podemos ver golfinhos a acasalar.

Golfinhos comuns a acasalar
Golfinhos comuns a acasalar

Qual o período de gestação e como cuidam das crias?

Dependendo da espécie, o período de gestação pode demorar entre 11 e 17 meses. As crias de golfinhos, normalmente, nascem com a cauda primeiro. É possível estimar a idade de um golfinho recém-nascido com base na barbatana dorsal. Também estima-se que a barbatana fique dura numa questão de horas, já a cauda parece demorar um pouco mais. Para além disto, as crias têm marcas de cor clara na lateral do dorso. Estas marcas são conhecidas como marcas fetais e são caraterísticas de terem estado apertados dentro do ventre da mãe. Pode demorar várias semanas até estas marcas desaparecerem (Wells, 1999)

Um golfinho bebé por norma nada junto de um dos lados do dorso da mãe. Isto torna mais fácil à cria acompanhar a mãe porque tem de se esforçar menos. As crias, são amamentadas entre um a dois anos, em média, embora já tenha sido possível observar uma cria de quatro anos e meio a ser amamentada (Wells, 1999).

O leite é produzido pelas glândulas mamárias e é rico em gordura e colesterol. Este colesterol fornece anticorpos que ajudam a proteger a cria de infeções durante os primeiros meses críticos de vida (Eichelberger, L et al, 1940).

Como comunicam os golfinhos?

Os golfinhos comunicam através da emissão e receção de sons. Cada indivíduo desenvolve o seu som nos primeiros anos de vida. Cada indivíduo emite um som único, diferente dos outros para se conseguir identificarem uns aos outros. Estes sons funcionam como os nomes nos humanos e nas nossas viagens é frequente ouvir os golfinhos a emitir sons!

Os golfinhos também usam comportamentos diferentes, como é o exemplo da linguagem corporal para comunicar entre si e também é possível ver estes comportamentos durante as viagens de observação de cetáceos. Vamos então verificar como estes indivíduos se expressam.

Padrão de cor corporal

As manchas, riscas e marcas podem indicar o estado de saúde ou a idade de um golfinho. Por exemplo, a pele dos golfinhos pintados (Stenella frontalis), uma espécie sazonal que pode ver durante o verão nos Açores, desenvolve manchas à medida que envelhece. As marcas na pele dos golfinhos de Risso (Grampus griseus) mostra as suas habilidades de luta e experiência.

Golfinho Risso adulto
Um golfinho de Risso adulto. Eles nascem com a pele cinzento escuro e acumulam marcas à medida que envelhecem.

Postura

A postura de um golfinho pode demonstrar desagrado ou agressividade para outros indivíduos. Por exemplo, a postura em “S” é utilizada em dois contextos: cortejar ou agressividade. Os golfinhos machos lutam entre si por diversas razões, tais como comida, espaço, fêmeas ou estabelecer dominâncias social (Waal & Harcourt, 1992).

Golfinho roaz postura em S
Postura em S de um golfinho roaz. Foto: Wild Dolphin Project

Toque

A pele dos cetáceos é muito sensível ao toque e se eles estão de bom humor, podem deixar-se tocar ou mesmo tocar noutro golfinho com as barbatanas (Azevedo, A et al, 2010)

Golfinhos comuns a tocarem-se com as barbatanas peitorais. Foto: Ida Erikson, Futurismo
Golfinhos comuns a tocarem-se com as barbatanas peitorais. Foto: Ida Erikson, Futurismo

Batimentos Caudais

Este comportamento consiste em atirar a cauda para o alto e depois bater com ela na água. Isto normalmente cria um splash enorme e este comportamento pode ser utilizado para expressar agressividade, mas também desejo de deixar a área ou chamar a atenção de outros golfinhos (Azevedo et al, 2010; Herzing, 2000).

Surfar as ondas do barco (bow-riding)

Este é provavelmente o comportamento observado mais vezes durante as viagens de observação de cetáceos da Futurismo. Os golfinhos, por norma aproximam-se pela frente da embarcação e são empurrados pelas ondas geradas pelo barco. Com o tempo os golfinhos aprenderam a aproveitar esta energia gerada pelo barco. É também uma oportunidade para descansarem e para se divertirem connosco! 🙂

Golfinhos comuns a surfar as ondas do barco

Por fim e um dos comportamentos mais populares: os saltos!

Porque saltam os golfinhos?

Todos sabemos que os golfinhos saltam. E muitos estão habituados a vê-los em jardins zoológicos e aquários, mas infelizmente nessas situações eles são forçados a saltar em troca de comida. Por outro lado, no habitat natural, eles saltam sempre que querem e por diferentes razões.

Por exemplo, quando um golfinho nada a uma velocidade elevada ele é forçado a ficar perto da superfície para poder respirar durante esta atividade mais intensa. Este comportamento chama-se “porpoising” e pode ser descrito por saltos frequentes enquanto o golfinho nada em frente a uma velocidade superior a 4,6 m/s (Weihs, D, 2002).

Golfinhos riscados "porpoising"
Golfinhos riscados são conhecidos por nadar frequentemente desta forma, o “porpoising”. Foto: Carine Zimmermann.

Às vezes, podemos encontrar grupos de golfinhos juvenis entusiasmados a saltar e comunicar com outros golfinhos. Este comportamento é espetacular e fácil de captar, daí atrair muita atenção dos pesquisadores e turistas. Este é um comportamento mais frequente durante a alimentação (Acevedo-Gutirrez, 1999).

Salto golfinho riscado
Salto enorme de um golfinho riscados. Foto:Miranda van der Linde

Alguns estudos mostraram que o golfinho rotador do Havai (Stenella longirostris) utiliza os comportamentos aéreos como forma de reafirmar laços sociais antes de procurar alimento (Norris and Dohl, 1980). Por outro lado, outros estudos, defendem que o golfinho crepúsculo da Argentina (Lagenorhynchus obscurus) salta diretamente para os cardumes de peixe à superfície para conseguir uma captura mais fácil (Würsig, 1980). Estas hipóteses não são mutuamente exclusivas e podem não se aplicar a todas as situações, como por exemplo, algumas espécies que caçam em conjunto ou que caçam cardumes de peixes à superfície.

Durante as viagens da Futurismo para o mar é possível observar momentos de alimentação com muitos saltos, splash e batimentos caudais.

Golfinho pintado a saltar
Golfinho pintado do Atlântico a saltar em direção a uma zona de alimentação. Foto: Marina Gardoki.

Outro motivo que leva os golfinhos a saltar pode ser a remoção de parasitas. Isto pode fazer com que os parasitas se soltem e algumas vezes é possível ver golfinhos a saltar e rodopiar para se libertarem de remoras com sucesso.

Remora no peitoral de um golfinho pintado
Remora no peitoral de um golfinho pintado juvenil. Foto: Ida Eriksson

O golfinho mais acrobático é o golfinho rotador. Em apenas um salto, eles podem girar sobre si próprios na horizontal até 7 vezes. Através de filmagens debaixo de água e de um modelo matemático, os cientistas de West Chester University conseguiram explicar como estes indivíduos conseguem este feito acrobático. Infelizmente, não é possível encontrar esta espécie nos Açores. Podem ser encontrados na maioria no Havai e México.

Como podem ver, existem várias razões para os golfinhos saltarem na natureza. Demonstrar dominância, comunicar a localização, chamar outros golfinhos, remover parasitas ou simplesmente por diversão!

Agora que já são quase especialistas em golfinhos, que tal juntarem-se à Futurismo para observar estes incríveis cetáceos no seu habitat natural. Estamos à sua espera!

Bibliografia

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Webliografia

How do whales and dolphins breathe?

https://dolphin4life.weebly.com/repiration.html

https://baleinesendirect.org/en/since-whales-and-ungulates-share-a-common-ancestor-are-the-former-able-to-ruminate/

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