{"id":66284,"date":"2021-11-17T10:15:45","date_gmt":"2021-11-17T11:15:45","guid":{"rendered":"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/evolucao-e-biogeografia-de-cetaceos\/"},"modified":"2022-12-07T12:29:55","modified_gmt":"2022-12-07T13:29:55","slug":"evolucao-e-biogeografia-de-cetaceos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/evolucao-e-biogeografia-de-cetaceos\/?lang=pt-pt","title":{"rendered":"Evolu\u00e7\u00e3o e Biogeografia de Cet\u00e1ceos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66266\" srcset=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1-380x214.jpg 380w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1-800x450.jpg 800w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1-1160x653.jpg 1160w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-1.jpg 1333w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p><strong>Figura 1:<\/strong> A: Pakicetus, <a href=\"#\/media\/Ficheiro:Pakicetus_BW.jpg\">fonte 1<\/a>; B: Basilosaurus, <a href=\"#\/media\/Ficheiro:Basilosaurus_BW.jpg\">fonte 2<\/a>; C: Odontecete; D: Misticete<\/p>\n\n<p><strong>O que \u00e9 a Biogeografia?<\/strong><\/p>\n\n<p>A Biogeografia \u00e9 a \u00e1rea de estudo da ci\u00eancia que tenta compreender a distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e dos ecossistemas. A distribui\u00e7\u00e3o atual das esp\u00e9cies deve-se a dois fatores: <\/p>\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Os seus antepassados, esp\u00e9cies que j\u00e1 n\u00e3o existem hoje, mas que evolu\u00edram\/adaptaram-se de modo a chegar \u00e0s esp\u00e9cies que s\u00e3o nossas contempor\u00e2neas. <\/pre>\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">As transforma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas do nosso planeta que levou a que as esp\u00e9cies tenham a sua distribui\u00e7\u00e3o atual.<\/pre>\n\n<p><strong>Arqueocetos, os antepassados dos cet\u00e1ceos<\/strong><\/p>\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Antes de existirem os cet\u00e1ceos tal como os conhecemos hoje existiram os seus antepassados, os Arqueocetos (baleias ancestrais) que j\u00e1 est\u00e3o desde h\u00e1 muitos milh\u00f5es de anos extintos. <\/pre>\n\n<p>\u00c9 atualmente consensual que a fam\u00edlia Pakicetidae \u00e9 o ancestral comum de todas as esp\u00e9cies de cet\u00e1ceos que existem atualmente. Os primeiros registos f\u00f3sseis foram encontrados no Paquist\u00e3o em 1970. Pensa-se que esta esp\u00e9cie viveu h\u00e1 cerca de 55 Ma, sendo aceite que o hipop\u00f3tamo \u00e9 a esp\u00e9cie de mam\u00edfero terrestre mais pr\u00f3ximo deste antepassado dos cet\u00e1ceos. Desde esse tempo a Terra, tal como a conhecemos hoje, sofreu grandes transforma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas que levaram \u00e0 atual distribui\u00e7\u00e3o dos cet\u00e1ceos.<\/p>\n\n<p><strong>Transforma\u00e7\u00f5es no Planeta Terra?\u00a0<\/strong><\/p>\n\n<p>Durante 55Ma, o nosso planeta passou por 5 \u00e9pocas (Eoceno, Oligoceno, Mioceno, Plioceno e Pleistoceno) at\u00e9 chegarmos \u00e0 \u00e9poca em que vivemos atualmente: o Holoceno (Figura 2). <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img width=\"577\" height=\"298\" src=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-3.png\" alt=\"Planeta Terra h&#xE1; 55Ma\" class=\"wp-image-66271\" srcset=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-3.png 577w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-3-300x155.png 300w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-3-380x196.png 380w\" sizes=\"(max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><\/figure>\n\n<p>Figura 2: Planeta Terra h\u00e1 55Ma, setas e circunfer\u00eancias mostram os locais das principais transforma\u00e7\u00f5es no nosso mundo desde h\u00e1 55Ma, n\u00fameros mostram a ordem pelo qual aconteceram, fonte 3.<\/p>\n\n<p><strong>1)<\/strong> Durante o Eoceno (55-35Ma), os primeiros cet\u00e1ceos apareceram em zonas estuarinas e costeiras, naquele que era conhecido como o Mar de Tethys. O Planeta era um local bem mais quente daquele que temos hoje.&#13;\n&#13;\n\u00a0<\/p>\n\n<p>Foi durante esta \u00e9poca, que aconteceram possivelmente as maiores transforma\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas nos Arqueocetos, na sua adapta\u00e7\u00e3o ao meio marinho ocorreram 5 transforma\u00e7\u00f5es principais no seu corpo (Figura 3):<\/p>\n\n<ol type=\"1\"><li>A passagem gradual do nariz na face anterior do focinho para o topo da cabe\u00e7a, ao qual chamamos hoje de espir\u00e1culo.&#13;\n&#13;\n<\/li><li>A regress\u00e3o das \u201cpernas\u201d para o interior do corpo, sendo hoje apenas um \u00f3rg\u00e3o vestigial.  <\/li><li>Os \u201cbra\u00e7os\u201d transformaram-se em \u00f3rg\u00e3os de apoio \u00e0 nata\u00e7\u00e3o, no caso as atuais barbatanas peitorais. <\/li><li>A cauda come\u00e7ou a transformar-se no \u00f3rg\u00e3o principal de propuls\u00e3o, sendo hoje a conhecida por barbatana caudal.  <\/li><li>Por \u00faltimo com todas estas transforma\u00e7\u00f5es o corpo come\u00e7ou a ser muito mais aerodin\u00e2mico para o meio aqu\u00e1tico. <\/li><\/ol>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img width=\"600\" height=\"766\" src=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66273\" srcset=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-4.jpg 600w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-4-235x300.jpg 235w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-4-380x485.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n<p>Figura 3: Evolu\u00e7\u00e3o dos Arqueocetos desde o mais distante ancestral comum da fam\u00edlia <em>Pakicetidae<\/em> at\u00e9 \u00e0 fam\u00edlia <em>Basilosauridae<\/em>, fonte 4.<\/p>\n\n<p><strong>2) &amp; 3)<\/strong> Durante o Oligoceno (35-23Ma) e o Mioceno (23-5Ma), ocorreram tr\u00eas grandes transforma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas que transformaram bastante os oceanos, primeiro a atual India juntou-se \u00e0 Asia, levando ao cont\u00ednuo fechar do Mar de Tethys. Em seguida a abertura da hoje conhecida como Passagem de Drake entre a Ant\u00e1rtica e a Patag\u00f3nia, bem como da Austr\u00e1lia (Tasm\u00e2nia) com a Ant\u00e1rtica, levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma corrente Ant\u00e1rtica que levou ao progressivo arrefecimento dos oceanos no Hemisf\u00e9rio Sul e possivelmente a um crescente aumento da produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, levando provavelmente ao desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas de alimenta\u00e7\u00e3o por parte dos cet\u00e1ceos. Por \u00faltimo todos os Oceanos passaram a ser praticamente como os conhecemos hoje, principalmente devido \u00e0 continuada abertura do Oceano Atl\u00e2ntico.&#13;\n&#13;\n\u00a0<\/p>\n\n<p>Estas \u00e9pocas foram fundamentais na hist\u00f3ria dos cet\u00e1ceos, pois foi nestas \u00e9pocas que grande parte dos Arqueocetos desapareceram e que come\u00e7aram a surgir aqueles que s\u00e3o conhecidos como os Neocetos. Foi aqui que come\u00e7aram a desenvolver-se as duas principais t\u00e9cnicas de alimenta\u00e7\u00e3o nos cet\u00e1ceos:<\/p>\n\n<p>O desenvolvimento da alimenta\u00e7\u00e3o por filtra\u00e7\u00e3o (Figura 4). Durante estas \u00e9pocas, os antepassados dos misticetos passaram de uma alimenta\u00e7\u00e3o de morder, mastiga\u00e7\u00e3o simples e engolir, para uma alimenta\u00e7\u00e3o totalmente focada na filtra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de estruturas hoje conhecidas como barbas, constitu\u00eddas principalmente por queratina, o mesmo amino\u00e1cido que as nossas unhas e cabelo.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img width=\"754\" height=\"399\" src=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66275\" srcset=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-5.jpg 754w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-5-300x159.jpg 300w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-5-380x201.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n<p>Figura 4: Evolu\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o por filtra\u00e7\u00e3o desde o ancestral comum dos mysticeteces e odontocetes a fam\u00edlia <em>Basilosauridae<\/em>, passando por v\u00e1rias das fam\u00edlias ancestrais dos mysticetes <em>Aetiocetidae<\/em> e <em>Eomysticetidae<\/em> at\u00e9 a uma das esp\u00e9cies de mysticete atual, adaptado de (Marx, Hocking et al. 2016).<\/p>\n\n<p>Nos antepassados dos odontocetes desenvolveram-se estruturas que permitem a produ\u00e7\u00e3o de sinais de alta frequ\u00eancia, sinais estes que possivelmente possibilitariam a produ\u00e7\u00e3o da ecolocaliza\u00e7\u00e3o (Figura 5). Caracter\u00edstica fundamental para a captura de alimento, e que se demonstrou bastante eficaz durante a evolu\u00e7\u00e3o dos odontocetes, visto que levou a que esta sub-ordem se tornasse a mais abundante com 73 esp\u00e9cies de cet\u00e1ceos descritos nos nossos dias.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img width=\"581\" height=\"417\" src=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-66279\" srcset=\"https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-7.png 581w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-7-300x215.png 300w, https:\/\/whalewatchingazores.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/imagem-7-380x273.png 380w\" sizes=\"(max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><\/figure>\n\n<p>Figura 5: Evolu\u00e7\u00e3o da audi\u00e7\u00e3o desde os Arqueocetos at\u00e9 aos odontocetes atuais, com imagens da Cochlea (anterior (a,c,e,g) e vestibular (b,d,f,h), adaptado de (Park, Fitzgerald et al. 2016).<\/p>\n\n<p><strong>4) &amp; 5)<\/strong> No Plioceno (5-2Ma) e Pleistoceno (2Ma-10000anos), foi durante estas \u00e9pocas, principalmente na \u00faltima, que ocorreram as famosas eras glaciares. O nosso Planeta, principalmente no Hemisf\u00e9rio Norte, teve sucessivas fases mais quentes e fases mais frias que em muito influenciaram a distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de cet\u00e1ceos tal como as conhecemos hoje, nos A\u00e7ores podemos observar alguns desses exemplos.<\/p>\n\n<ol type=\"1\"><li>Esp\u00e9cies anti-tropicais: Esp\u00e9cies irm\u00e3s que existem em ambos os hemisf\u00e9rios, mas que n\u00e3o existem nas zonas dos tr\u00f3picos. Nos A\u00e7ores o Botinhoso \u00e9 uma dessas esp\u00e9cies.<\/li><li>A migra\u00e7\u00e3o das baleias de barbas com diferentes alturas do ano no Hemisf\u00e9rio Norte e no Hemisf\u00e9rio Sul. <\/li><\/ol>\n\n<p><em>Artigo de Rui Peres dos Santos\u00a0<\/em><\/p>\n\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n\n<p>Marx, F. G., D. P. Hocking, T. Park, T. Ziegler, A. R. Evans and E. M. Fitzgerald (2016). &#8220;Suction feeding preceded filtering in baleen whale evolution.&#8221; Memoirs of Museum Victoria <strong>75<\/strong>.<\/p>\n\n<p>Park, T., E. M. Fitzgerald and A. R. Evans (2016). &#8220;Ultrasonic hearing and echolocation in the earliest toothed whales.&#8221; Biol Lett <strong>12<\/strong>(4).<\/p>\n\n<p>Fontes:<\/p>\n\n<ol type=\"1\"><li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pakicetus#\/media\/Ficheiro:Pakicetus_BW.jpg\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pakicetus#\/media\/Ficheiro:Pakicetus_BW.jpg<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Basilosaurus#\/media\/Ficheiro:Basilosaurus_BW.jpg\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Basilosaurus#\/media\/Ficheiro:Basilosaurus_BW.jpg<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/deeptimemaps.com\/global-paleogeography-and-tectonics-in-deep-time-series\/\">https:\/\/deeptimemaps.com\/global-paleogeography-and-tectonics-in-deep-time-series\/<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/evolutionnews.org\/2018\/07\/from-bears-to-whales-a-difficult-transition\/\">https:\/\/evolutionnews.org\/2018\/07\/from-bears-to-whales-a-difficult-transition\/<\/a><\/li><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Figura 1: A: Pakicetus, fonte 1; 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