Surpresa com orcas em São Miguel

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No passado sábado, dia 8 de janeiro, tivemos a sorte de encontrar um grupo de orcas ao largo da ilha de São Miguel, a cerca de 6 milhas de Ponta Delgada. Estava em deslocação um grupo de 4 indivíduos – um macho, duas fêmeas e um juvenil.

Tivemos a oportunidade de os fotografar e filmar cujo objetivo é tentar identificar se este grupo já está registado no catálogo de orcas da Futurismo ou mesmo em algum catálogo de orcas do Atlântico Norte, ou se por outro lado, é um grupo novo para estudar e analisar cientificamente.

O indivíduo com a barbatana dorsal mais alta e reta que vemos nas fotografias é o macho e a fêmea tem a barbatana dorsal mais baixa e curva. Não sabemos exatamente de onde vinham nem para onde vão, mas sabemos que este é o mamífero com maior distribuição no planeta terra – encontram-se em todos os oceanos, desde as águas polares até às tropicais.

Nos Açores, normalmente as orcas são avistadas em grupos familiares pequenos com pelo menos um macho. Apesar de possuírem uma estrutura social complexa, estudos científicos indicam que esta espécie é matriarcal (são as fêmeas que lideram).

Na verdade, não é muito comum serem avistadas orcas em janeiro nos Açores, mas curiosamente, há precisamente 9 anos, a 8 de janeiro de 2013, foi visto um grupo de orcas em São Miguel. Uma destas foi batizada com o nome Mr Ray porque na altura estava a interagir com uma raia. Sabemos ainda que entre maio de 2006 e dezembro de 2015 os biólogos da Futurismo registaram 24 avistamentos de orcas. Os dados recolhidos devem-se à investigação dos biólogos marinhos da Futurismo que pode analisar em pormenor no poster que apresentamos abaixo.

Esta é uma espécie ocasional nos Açores, normalmente é encontrada nos meses de março e abril (curiosamente a altura do ano em que normalmente o atum começa a surgir nos Açores). Temos registos de avistamentos de orcas em 2019 (março); em 2021 (abril e maio). A foto identificação permite identificar os indivíduos utilizando marcas naturais captadas em fotografias. Para esta espécie recorre-se principalmente à barbatana dorsal e/ou saddle patch (marca posterior à barbatana dorsal). Neste momento no nosso catálogo temos registo de 54 indivíduos.

Quanto ao estudo que a Futurismo faz nesta área de investigação, temos atualmente a bióloga marinha Georgina Cabayol, responsável pela atualização do catálogo e que se encontra atualmente a fazer a sua tese de mestrado sobre orcas no Atlântico Norte.

Ao contrário do que se possa pensar, esta é a maior espécie de golfinho e não uma baleia. Pertence à subordem Odontoceti e à família Delphinidae. Acredita-se que o nome “baleia assassina” tenha sido dado antigamente por marinheiros que testemunharam estes animais a atacar baleias e o nome evoluiu naturalmente de “assassino de baleia” para baleia assassina.

As orcas podem alimentar-se de tudo um pouco – peixes, tubarões, cefalópodes, mamíferos marinhos, tartarugas, aves marinhas. Nas nossas águas, este predador tem preferência pelo atum.

Quanto ao tamanho das orcas, é o maior dos golfinhos, pode atingir o tamanho máximo de 9,8m nos machos e 8,5m nas fêmeas. Quanto ao peso, os machos podem alcançar cerca de 10 000 kg e as fêmeas 6 000kg.

As orcas apresentam dimorfismo sexual acentuado, o que significa que é possível à superfície distinguir se são machos ou fêmeas. É bastante fácil, uma vez que os machos adultos apresentam uma barbatana dorsal maior do que a fêmea, que pode atingir até 1,8m de comprimento.

Para concluir, deixamos mais uma curiosidade. Sabia que em cativeiro devido ao stress que o animal é exposto, à pouca profundidade do tanque e à temperatura da água, a barbatana dorsal tende a colapsar? No seu habitat natural, as barbatanas dorsais das orcas tendem a ficar eretas devido ao facto destes animais conseguirem mergulhar até aos 600 metros de profundidade, sendo expostas a temperaturas mais frias e a pressão acrescida. Deixamos ainda uma sugestão sobre a problemática das orcas em cativeiro. Na plataforma Netflix assista ao documentário “Blackfish”.

Bibliography

Stredulinsky, E.H., Darimont, C.T., Barrett-Lennard, L. et al. Family feud: permanent group splitting in a highly philopatric mammal, the killer whale (Orcinus orca). Behav Ecol Sociobiol 75, 56 (2021).

Deecke, V.B., Barrett-Lennard, L.G., Spong, P. et al. The structure of stereotyped calls reflects kinship and social affiliation in resident killer whales (Orcinus orca). Naturwissenschaften 97, 513–518 (2010).

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