Qual a melhor altura para ver baleias e golfinhos nos Açores?

cachalote a saltar em São Miguel

Uma das questões mais comuns que nos colocam é saber qual a melhor altura para ver baleias e golfinhos nos açores. A resposta depende das espécies que gostariam mais de ver.

Na verdade, a melhor altura para ver baleias nos Açores é durante a primavera, sendo que os meses de abril e maio são os que registam mais avistamentos das maiores baleias do mundo. Durante estes meses encontramos os gigantes do mar (incluindo os três maiores animais do mundo: a baleia azul, a baleia comum e a baleia sardinheira). Elas vêm do Sul (de zonas tropicais ou subtropicais) onde passaram os meses de inverno, e passam pelos Açores em direção ao Oceano Atlântico Norte. Nos Açores, as grandes baleias são avistadas todos os anos, maioritariamente nos meses da primavera. Este período coincide, teoricamente com a migração anual entre regiões tropicais ou subtropicais onde estas espécies de baleias acasalam e têm as suas crias, e em altas latitudes alimentam-se, fundamentalmente nos meses de verão. No caso de baleias azuis e baleias comuns, através do seguimento por satélite confirmou-se que, enquanto passam nos Açores, aproveitam para se alimentar nas nossas águas antes de continuarem a viagem para o sul da Islândia e sudeste da Gronelândia (Silva et al., 2013. )

As baleias sardinheiras, embora em menor medida, também se alimentam à volta do arquipélago para logo continuarem a viagem para o Atlântico Noroeste (Estudo desenvolvido por Prieto et al., 2014) .

As baleias de bossa que passam cá nos Açores, já foram avistadas seguindo a rota desde Cabo Verde, mas também quando vinham das águas do Atlântico Nordeste (Noruega e Mar de Barents) em direção a sudoeste (Caraíbas). Pode ver os resultados da migração anual das baleias de bossa. Mas a verdade é que também há baleias de barbas que fogem um pouco ao padrão até agora conhecido. Por exemplo, durante os últimos meses de 2019 e o início de 2020 foram avistadas três espécies de baleias de barbas ao largo de São Miguel, nos Açores. (Estatísticas do mês de novembro de 2019, dezembro 2019 e janeiro de 2020).

Para ver a nossa baleia icónica, o cachalote, pode visitar-nos em qualquer altura do ano visto ser uma espécie que reside todo o ano nos Açores, embora no verão haja uma maior probabilidade de os ver. No verão também é uma altura excecional para ver golfinhos, visto que temos mais espécies de golfinhos, inclusivamente com crias. A Futurismo faz viagens de observação de baleias e golfinhos durante todo o ano, se preferir evitar a época alta ou não é fã de calor, pode visitar-nos no inverno, uma vez que temos 4 espécies (golfinho comum, golfinho roaz, golfinho de risso e cachalote) residentes nos Açores e são vistos durante todo o ano.

A tabela abaixo do artigo mostra de uma maneira ampla quais os meses em que há maior probabilidade de avistar cada espécie. Existem algumas variações de ano para ano, por exemplo, a época de baleias de barbas pode começar mais cedo ou prolongar-se até ao início do verão.

Conseguimos anualmente ver 28 espécies de baleias e golfinhos nos Açores e, ocasionalmente temos encontros mais raros com outras espécies como baleias de bico, orcas e falsas orcas. É verdade que são animais tão carismáticos e emblemáticos e apesar disso, o conhecimento que temos sobre estes gigantes do mar continua a ser muito limitado. É também por isso muito gratificante e motivante trabalhar todos os dias ao lado destas criaturas, para contribuir para um conhecimento científico mais aprofundado.

Espécies de cetáceos em São Miguel

Bibliografia:

Prieto R, Silva MA, Waring GT, Gonçalves JMA (2014) Sei whale movements and behaviour in the North Atlantic inferred from satellite telemetry. Endangered Species Research. 26(2): 103–113. ISSN: 16134796. DOI: 10.3354/esr00630.

Silva MA, Prieto R, Jonsen I, Baumgartner MF, Santos RS. North Atlantic blue and fin whales suspend their spring migration to forage in middle latitudes: building up energy reserves for the journey? Plos one. 2013 ;8(10):e76507. DOI: 10.1371/journal.pone.0076507.    

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