Estatísticas Observação de Cetáceos 2020

cetaceos 2020

2020 foi um ano atípico e, para muitos, finalmente chegou ao fim. Depois de um 2019 com grandes surpresas, a nossa expectativa para 2020 era enorme! Mas quem disse que, apesar de um ano que marcou definitivamente a vida de todos nós, 2020 não foi surpreendentemente bom em termos de cetáceos?

Vamos ver as nossas estatísticas do ano e descobrir o quão maravilhoso os Açores são!

sighting statistics 2020 1

Sem quebrar a regra, uma vez mais, o nosso querido golfinho comum (Delphinus delphis) foi a espécie mais avistada do ano, encontrado em cerca de 70% das nossas viagens. No entanto, o golfinho roaz (Tursiops truncatus) não ficou muito atrás, uma vez que foi visto em 60% dos nossos passeios. Ao longo do ano, as duas espécies foram encontradas em todos os meses em que saímos ao mar. Podemos dizer que estas espécies residentes são abundantes no Arquipélago, adoram as águas que o rodeiam e, acima de tudo, gostam de nos fazer companhia e surpreender com as suas capacidades de navegar à proa e efetuar saltos incríveis, que tanto encantam os nossos visitantes a cada viagem.

Surpreendentemente, este ano, os cachalotes (Physeter macrocephalus) não foram a terceira espécie mais avistada como costumam ser, mas sim o golfinho pintado do Atlântico (Stenella frontalis). Esta é uma espécie migratória que costuma ser avistada entre junho e dezembro e, embora a encontremos maioritariamente nos meses de verão, quando a água está mais quente, este ano deparámo-nos com a mesma em cerca de 30% das nossas viagens em setembro, outubro e novembro. Os golfinhos pintados utilizam as águas das Ilhas Açorianas para se alimentarem, procriarem, darem à luz e amamentarem. Como todos os anos, esta espécie chegou em grandes grupos e presenteou-nos com vários dos mais pequenos bebés de cetáceos que podemos encontrar no arquipélago.

O cachalote! A única espécie de baleia residente em águas açorianas e o tão famoso símbolo do nosso arquipélago. A quarta espécie mais avistada do ano! Presentes durante todo o ano, tivemos a possibilidade de observar desde um dos comportamentos mais avistados, o de mostrar a cauda antes de ir à caça, à presença de recém-nascidos, e saltos de indivíduos de todas as gerações, nada ficou de fora! Mas dois momentos marcaram este ano. Primeiro, o mês de novembro foi marcado pelo avistamento e registo acústico de um novo macho, nunca visto antes, a quem demos o nome de Sr. Novembro! Conseguem adivinhar porquê?! Segundo, e ainda mais espetacular, tivemos a oportunidade de avista o Mr. Liable, o nosso cachalote mais avistado, a saltar! Um comportamento raro neste macho e nunca visto antes por muitos membros da equipa da Futurismo.

A grande diferença deste ano foi a primavera. Normalmente, é uma época do ano em que as águas dos Açores se enchem de vida e é, definitivamente, a melhor altura do ano para encontrar as grandes baleias de barbas. Porém, este ano, e embora soubéssemos que elas estavam por cá, não pudemos sair ao mar. As baleias azuis (Balaenoptera musculus), uma das espécies por que mais ansiamos, não foram vistas pela nossa equipa. No entanto conseguimos ver outras espécies baleias de barbas. O ano começou com alguns encontros incríveis com baleias de bossa (Megaptera novaeangliae) e baleias comum (Balaenoptera physalus). Quem sabe se não estariam a fugir às águas frias do inverno encontradas no norte do Oceano Atlântico para águas mais quentes mais a sul? No verão também avistámos baleias comum e baleias sardinheiras (Balaenoptera borealis), provavelmente a voltar das áreas de reprodução e a deslocarem-se para as áreas de alimentação, mais a norte e ricas em alimento. E como se isso não bastasse, este ano também foi marcado com mais duas surpresas dentro da família das baleias de barbas. Uma delas foi o avistamento da baleia de Bryde (Balaenoptera brydei) durante os meses de verão, após 2 verões sem ver nenhum indivíduo desta espécie. Esta é uma espécie que prefere águas tropicais e, por isso, raramente é avistada nos Açores. A sua presença no arquipélago só foi confirmada em 2004, tendo sido avistada novamente em 2009, 2013, 2017 e agora em 2020. A segunda foi o avistamento de uma baleia anã (Balaenoptera acutorostrata) em agosto, uma das mais pequenas espécies de baleias de barbas, e também pouco avistada nos Açores.

Outro avistamento incrível foi o de uma baleia de bico-de-Sowerby (Mesoplodon bidens) em julho. Embora presentes nos Açores, estas passam a maior parte do tempo debaixo de água e não são frequentemente vistas à superfície.

Voltando à família dos golfinhos, e com mais comummente encontrados nos meses de verão, avistámos baleias piloto (Globicephala macrorhynchus) nos meses de julho e agosto, mas também no mês de janeiro. Outras duas espécies de golfinhos que tivemos a oportunidade de avistar foram os golfinhos riscados (Stenella coeruleoalba), uma espécie de alto mar, também observada algumas vezes este verão e o golfinho de Risso (Grampus griseus), uma espécie caracterizada pela cabeça arredondada e corpo marcado por cicatrizes que lhes conferem uma cor esbranquiçada, avistado no final do verão e nos meses de outono. E como não podemos deixar de ser surpreendidos, numa manhã de um dia de novembro, tivemos a oportunidade de reavistar a nossa família residente de golfinhos de Risso. Já não a avistávamos desde 2019!

Para terminar o ano da melhor forma, numa das nossas últimas viagens ao mar, fomos surpreendidos por um grupo de falsas orcas (Pseudorca crassidens), o primeiro e único avistamento do ano!  

Tudo isto só mostra como as águas dos Açores são fantásticas e cheias de biodiversidade!!! Gostava de saber mais sobre estes animais incríveis, sobre os nossos avistamentos diários, avistamentos mensais e sobre o nosso trabalho? Visite o nosso blogue.

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