Emaranhamento, felizmente não é assim tão frequente nos Açores

entanglement cetaceans

Frequentemente, durante os nossos passeios de observação de baleias e natação com golfinhos, encontramos lixo a flutuar no oceano. Normalmente tentamos recolhê-lo e trazê-lo de volta para a costa. É o mínimo que podemos fazer! Entre os itens mais comuns, costumamos encontrar restos de artes de pesca e plásticos. Porém, às vezes ficamos muito surpresos com o tipo de lixo que recolhemos: centenas de metros de corda de pesca ou até mesmo um frigorífico! Como é que isto pode ser possível?

Este assunto ganha importância mundial, principalmente se pensarmos em todas as consequências que pode ter nos ecossistemas e, consequentemente, nas nossas vidas. Embora seja um tema bastante explorado, nunca nos podemos esquecer de que todo o plástico alguma vez criado ainda se encontra por aí. Uma parte deste plástico encontra-se nos nossos oceanos, parte do qual a partir-se em pequenos pedaços que estarão por cá durante toda a nossa vida … No entanto, não é necessário que todos os pedaços se degradem para causar danos à vida selvagem; e o mesmo acontece com as artes de pesca. Neste caso estamos a falar do emaranhamento, ou seja, quando um animal fica preso em algo como uma rede ou cordas.

Felizmente, não é comum ver animais emaranhados nos nossos passeios. No entanto, ao longo dos anos temos registado várias interações de golfinhos, baleias e tartarugas, por vezes enredados em artes de pesca, cordas ou, mais frequentemente, em plástico.

O lixo marinho e o emaranhamento são uma questão internacional, sendo, portanto, uma das preocupações que o projeto europeu INDICIT pretende avaliar desde 2017. Neste momento, está a decorrer a segunda edição do projeto (2019-2021) e o seu objetivo é desenvolver ferramentas para monitorizar os impactos do lixo na fauna marinha. Uma das principais áreas de trabalho é o “Emaranhamento da fauna marinha em detritos flutuantes (tartarugas, mamíferos e pássaros)”.

Desde o início deste ano, a Futurismo encontra-se a colaborar com o projecto INDICIT-II, disponibilizando os registos de emaranhamento que temos na nossa base de dados. Com mais de 10 anos de avistamentos, a Futurismo tem diversos registos de emaranhamento bem reportados, não só com registo do local de emaranhamento e das espécies envolvidas, mas também, na maioria das vezes com fotografias ou mesmo vídeos que documentam a situação.

E assim, é mais uma gota para ajudar a proteger os nossos oceanos e motivar-nos a sair para o mar todos os dias 🙂

Escrito por Laura González

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