Avistamentos de cetáceos no Pico em junho de 2022

O mês passado foi rico em termos de variedade de espécies encontradas no sul do Pico. De facto, conseguimos registar pelo menos 13 espécies diferentes de baleias e golfinhos no mês de junho!

No top 5 das espécies que foram encontradas com mais frequência, temos o golfinho comum (Delphinus delphis) que observamos em mais de 80% das nossas viagens, aproximando-se voluntariamente do nosso barco e escoltando-nos por várias centenas de metros. Este mês, os golfinhos comuns são frequentemente acompanhados pelos seus recém-nascidos, a nadar desajeitadamente ao lado da mãe.

O mesmo acontece com os golfinhos pintados do Atlântico (Stenella frontalis), que chegaram em meados de junho ao sul do Pico. Foram vistos em quase metade das viagens. Golfinhos pintados foram observados em grupos de tamanho variável, mas raramente com menos de cinquenta indivíduos, mostrando muitos recém-nascidos, bem como um comportamento de acasalamento muito frequente. Ambas as espécies alimentavam-se muitas vezes de pequenos cardumes junto com cagarros e Pardelas-escuras (que são especialmente abundantes este ano).

Os golfinhos riscados (Stenella coeruleoalba) foram observados regularmente, na maioria das vezes a manter distância dos barcos e por vezes acompanhados por uma espécie diferente de golfinhos. Os golfinhos roazes (Tursiops truncatus) às vezes ficavam a apenas algumas centenas de metros da costa e em grandes grupos de mais de uma centena de indivíduos.

Os golfinhos de Risso (Grampus griseus) também foram avistados com frequência em junho, em mais de 60% das nossas viagens! É um grupo de machos residentes que é mais regularmente observado interagindo com outros grupos de fêmeas ou machos, e até mesmo, uma vez, com golfinhos roazes. Um dos indivíduos deste grupo é facilmente reconhecível graças a um corte profundo na barbatana dorsal.

Diferentes grupos de cachalotes (Physeter macrocephalus) foram frequentemente vistos. De facto, eles foram observados em mais de 64% das nossas viagens. Tivemos alguns dias com vários grupos a passar a sul do Pico, enquanto noutros dias não apareceram. Ainda assim, o cachalote foi a espécie de baleia mais avistada durante este mês!

Baleias azuis (Balaenoptera musculus), baleias de bossa (Megaptera novaeangliae) e baleias sardinheiras (Balaenoptera borealis) ainda foram vistas esporadicamente. Com a temporada migratória a chegar ao fim, não é incomum que os avistamentos de baleias de barbas estejam a tornar-se escassos.

As baleias piloto de barbatana curta (Globicephala macrorhynchus) fizeram grande parte dos avistamentos, muitas vezes mostrando um comportamento calmo e típico a descansar na superfície do oceano. Tivemos também a grande e memorável surpresa de registar um grupo de baleias piloto de barbatana longa (Globicephala melas), uma espécie rara e pouco observada nos Açores. Não é fácil distinguir ambas as espécies quando não é possível ver as barbatanas.

Algumas espécies foram de observação única como as falsas orcas (Pseudorca crassidens) ou mesmo certas baleias de bico (Mesoplodon bidens, Mesoplodon spp), esquivas e tímidas como costumam ser, tornando por vezes impossível a identificação da espécie exata, no momento em que as vemos. Temos muita sorte de estar cercados por tanta vida e uma biodiversidade incrível!

Fiquem atentos ao nosso próximo relatório mensal!

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